quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um ano

Michael Jackson morreu há um ano.

Diz a mídia que desde sua morte, a 'marca' Michael Jackson gerou dividendos que superam 1 bilhão de dólares. Isso já é mais do que o alcançado por Elvis e pelos Beatles. Dezenas de 'amigos', associados e até - surpresa! - familiares concentram-se em lançar livros, fotos e outras obras que prometem revelar o "verdadeiro Michael Jackson". Um museu foi inaugurado na Ásia, planeja-se um grande espetáculo do Cirque du Soleil, a gravadora se regozija com canções inéditas, suficientes para pelo menos três álbuns. Visto pela ótica dos cifrões (e um cifrão ambulante era o que ele representava para tantos advogados, acusadores, e um sem número de pessoas sem escrúpulos), Michael está mais vivo do que nunca.


De outro lado, o 'médico monstro' continua à solta, num processo que corre frouxamente, sem muita pressão nem das autoridades, nem da mídia. Os métodos totalmente questionáveis dos médicos todos com quem Michael e outras celebridades, como Brittany Murphy, se tratavam e de quem obtinham drogas também não são mais notícia, e nem sequer geraram uma investigação aprofundada por parte da polícia. Para as autoridades em geral, Michael está morto, fim de caso, voltem para suas casas, não há nada para ver aqui.


Um grupo muito menor (e nesse, me incluo) continua vendo a morte de Michael como um paradoxo. Fisicamente, sim, não contamos mais com sua existência. Mas, e a inspiração, o verdadeiro legado? Essa está cada dia mais presente.


Não vou me alongar sobre tudo o que Michael representou e continuará representando em minha vida, pois já falei disso aqui. Ele foi meu grande amigo, meu primeiro amor, meu conselheiro de juventude e meu fornecedor inconteste de inspiração e sonhos. Mas, recentemente, depois de sua morte, ele me deu mais, ele me deu coragem.


Desde o falecimento de Michael eu sofri uma grande transformação física e emocional, e um dos aspectos mais positivos dessa transformação foi a disposição de buscar maior contato com o que me é caro, com o que eu considero importante. Eu subitamente entendi (e não fácil ter essa compreensão) que a vida é curta, única e que as coisas que temos como certas simplesmente... não o são.


Tenho visto parentes envelhecerem, as crianças crescerem rápido demais, e o mundo girar numa velocidade que eu, pessoa jovem, tenho dificuldade de acompanhar. Tenho visto crueldade e catástrofe, nenhuma fé e gente sem destino certo. Mas agora, em vez de sentar e lamentar, eu ajo. Pelo menos por mim.


Não é exagero algum dizer que Michael, depois de tudo, ainda melhorou minha qualidade de vida. Hoje eu vou a mais lugares, conheço mais pessoas, arrisco mais, e me divirto infinitamente mais em grande parte devido ao fato de que eu sei que o que amo pode não estar mais lá amanhã. Tenho mais disposição e olho mais para o céu do que antes. Na maioria das vezes, não deixo mais as perguntas paradas, no ar: eu as faço. Mesmo que saiba que não vou gostar da resposta. Tenho mais sorrisos e bons-dias do que amuações. Deixo os dois vidros do carro abertos e não me preocupo se o vento vai desarrumar meu cabelo. Canto com a música, alto, e rio no meio do trânsito. Passo mais tempo com meus pais. Pego meus cães no colo e lhes beijo as orelhas. Escrevo aos meus primos que moram longe que os amo.


Depois de doze meses sem a presença física de Michael no mundo eu concluo que ele está bem vivo dentro de mim. E que alegria seu espírito não deve sentir ao constatar que o Rei do Pop fez tanto por seus súditos. Pode ser que nunca tenhamos conhecido o verdadeiro Homem no Espelho, mas seu reflexo continua brilhando sobre todos que entenderam sua mensagem.


Saudades, Michael, e obrigada.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Old habits die hard

Ainda me é muito penoso ser superficial nas minhas relações. Nasci e fui criada para ser cuidadora e desde muito cedo parecia que alguém estava me observando o tempo todo, me cobrando responsabilidade, julgando o que eu faço. Acho que isso dificultou demais minhas relações, eu sempre procuro um papel pra me encaixar: seja de conselheira, mãe substituta, provedora... como é pesado carregar o mundo (dos outros) nas costas!

Domingo, ao sair de onde fui ver o jogo, eu tive mais uma vez aquela vontade de dirigir sem destino até a gasolina acabar, tenho isso de vez em quando. Só queria me sentir livre. Havia tido uma ótima conversa com meus amigos, recebi muito reforço positivo e tenho uma série de motivos para estar orgulhosa de mim mesma, mas ainda assim eu queria algo. Não sei bem o que é esse algo, será paz interna? Depois de tantos anos de turbulência, será que me sinto perdida porque não há mais com quem eu deva me procupar, além de mim mesma? O que me afasta tanto desse olhar interno, será o hábito de estar sempre olhando pra fora?

Certo mesmo é que nunca foi tão grande a necessidade de estar sozinha. Eu já me livrei de de muitas "compulsões", como por exemplo comida e consumo, mas acho que ainda existe em mim resquícios de uma compulsão por afeto que torna a transformação pela qual estou passando um tantinho mais penosa. Realmente, as pessoas não estavam erradas quando me alertaram que a transformação física era o de menos.

De todo modo, acho que estou me saindo bem. Me vislumbro lá na frente, uma mulher inteira e curada, mais forte, mais centrada, com muito mais auto-controle. É essa imagem que me mantém firme nos momentos mais difíceis. Felizmente, é uma imagem minha. Um oásis de pensamento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

De junho a junho

Foi exatamente ha um ano que cortei os ultimos lacos do relacionamento mais deleterio que ja tive na vida. De la para ca entrei numa espiral ascendente de mudancas e conquistas e, como nao poderia deixar de ser, fui colecionando licoes. Algumas delas eu ja queria ter colocado no "papel" antes e, especialmente agora, que esse blog esta sendo retomado, acho que lista-las seria uma boa pra minha quase-sempre-caotica organizacao interna. Vamos la:

1) Ame seu corpo. Sem tender a radicalismos naturebas ou cair na falacia do narcisismo exacerbado, cuide do que voce come, do tanto que bebe, da forma que se exercita, da qualidade e quantidade do seu sono. Fica bastante dificil controlar tudo isso junto; demanda tempo e - principalmente para as mulheres - um certo investimento, mas vale a pena demais. Eu que nunca fui uma pessoa de boa disposicao fisica, me sinto com 15 anos - e o melhor disso é ter a cabeca de 28 mesmo ;)

2) Passe a 'borracha' em que nao interessa. Cortar lacos de relacionamento afetivo, amizade ou (no meu caso) familiares que sao prejudiciais, nao somente se tornou necessario como quase compulsorio nos ultimos meses. Isso sem contar aquelas criaturas meio 'mosca de padaria' que ficam voejando em torno de voce, sem terem uma relacao definida, e que se aproveitam do que quer que seja de bom - ou ruim, tem gente tarada num sofrimento alheio! - que esteja lhe acontecendo. Como ja escrevi aqui, existe uma diferenca grande entre perdoar e esquecer. Sou absolutamente capaz do primeiro, e nem um pouco disposta para o segundo.

3) Realize seus desejos. Quantas vezes perdi oportunidades realmente legais de viajar, conhecer gente, fazer coisas diferentes, por simples 'moleza'. Nao sei se eu tinha medo do ridiculo (um ridiculo que so eu via!) ou vergonha de mim mesma, mas o fato é que nunca fazia nada muito fora da minha 'zona de conforto'. Agora, a primeira coisa que penso quando quero fazer algo é: "por que nao?". E o mais engracado foi descobrir que, afinal, meus desejos nao sao assim tao absurdos, ou vergonhosos.

4) Exercite a paciencia. No caso, trabalhar onde eu trabalho ja ajuda. Esse emprego tem me moldado ha quatro anos, e um pouco desse aprendizado ja foi incorporado a minha vida pessoal. So que agora estou aprendendo a ter paciencia comigo e a me cobrar menos, a ter menos pressa e pensar menos em resultados la na frente. O longo prazo perdeu um pouco do sentido e, consequentemente, a ansiedade diminuiu.

5) Divirta-se no processo. Acho que essa é a maior licao de todas. Relaciona-se com a diminuicao da ansiedade tambem. Nem tudo precisa ter um fim, um objetivo, um resultado, nem todas as gestalts precisam ser fechadas tipo "amanha-ou-eu-morro". As boas coisas levam tempo para se concretizar e, muitas vezes, é no processo que descobrimos que talvez tenhamos que mudar o plano.

Essas sao as linhas-mestras da minha transformacao. Tenho certeza de que é definitiva, me orgulho dela e acho que a viagem esta apenas comecando.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Welcome (back) To The Jungle!

Só o que não foi publicado é que não foi dito sobre Guns N’ Roses até hoje, de “a banda mais perigosa do mundo” até “cabide de empregos”, nos anos mais recentes. A brincadeira que eu tenho feito por esses dias de Guns no Brasil é que, com oito integrantes, bastaria Axl chamar dois percussionistas e estaria formada uma versão hard rock do Monobloco. :)
Foi com esse espírito, meio brincalhão e absolutamente incrédulo – afinal, estou em Brasília, e a nossa versão para “o dia de São Nunca” era “o dia em que o Guns N’ Roses vier tocar aqui” – que me dirigi ao Ginásio Nilson Nelson, também conhecido como O Vale dos Ecos, pra ver a banda do meu coração, a minha primeira e definitiva ligação com o rock.
Eu confesso que estava ressabiada. Depois de (no meu caso) sete anos esperando pelo lançamento de Chinese Democracy (um bom disco, mas não o melhor) e várias alterações na banda, eu não sabia se encontraria uma banda coesa, com o talento a que eu estava acostumada ou, como disse um não-simpatizante aqui da cidade, “Axl & Funcionários”.
Cheguei ao ginásio por volta das 18h30 e aquilo fervia. Não estamos acostumados a tanta gente junta por uma (boa) causa. As camisetas, bandeiras e bandanas estavam em meninos de dez anos e em homens de cinqüenta. Alguns cambistas anunciavam “compro ingresso”; tive que rir: que fã em sã consciência, a menos que estivesse, sei lá, com a mãe morrendo, venderia o seu?
Infelizmente – muito! – eu estava na pista comum. O ginásio é relativamente pequeno, e eu achei que minha visão não seria assim tãããão prejudicada. Mal eu sabia que ficaria de tal modo eufórica, que desejaria mais tarde ter visto o show pendurada na barra da calça de Axl – que ele reclamou o tempo todo que estava caindo, talvez por força do meu pensamento!
Às 20h30, numa pontualidade surpreendente, entrou a “pré-abertura”, uma banda local de metal progressivo chamada Khallice. Vou me abster de maiores comentários mas, para que se tenha uma idéia, na terceira música já se comentava que a banda poderia trocar de nome e se chamar Cale-se. Daí vocês tiram.
Por volta de 21h15, Sebastian Bach deu o ar de sua (muita) graça. Com as pernas longuíssimas dentro de calças de couro (hhmmmmm!!) e o cabelo louro esvoaçante, cumprimentou o público e disparou a falar em português entre as músicas. De “boa noite, Brasília!” a “Hoje Brasília vai ser a capital do rock n’ roll !!!”, o empolgado e simpaticíssimo Bach lembrou um pouco o Axl do RIR3, tamanho o fuzuê que fez com a platéia. Em termos musicais, não sei o que ele fez para conservar a mesma voz de 20 anos atrás, mas, seja o que for, se fosse ele, eu engarrafava o segredo e vendia, porque dá certo!
Eu conheço muito pouco de seu repertório novo – e ele hoje canta bem mais heavy metal do que no passado – então só “tirei o pé do chão”, como ele mesmo pediu, nas clássicas 18 And A Life, Monkey Business e na suprema e inigualável I Remember You; na qual não só tirei o corpo todo do chão como quase o esvaziei de alma também, de tanto que chorei ao ouvir uma das músicas que mais gosto na vida executada ao vivo, pelo artista original, e com uma perfeição embasbacante.
Depois do show do Bach eu sabia que a espera seria longa. Eu não contava era com o arrastão – sim, lembram da moda no RJ, de roubos disparados na multidão? – pois é, ele mesmo. Acabei sendo “levada” para ainda mais longe do palco. Felizmente, não me machuquei nem fui roubada.
Depois de um senta (no chão) - e - levanta de quase duas horas, de uma parte do público vaiar (não entendi, ninguém conhece os atrasos do Axl não?) , do cansaço se apossar do meu corpo e de observar o surgimento “mágico” (de onde saiu aquele palco monstro?) das toneladas de equipamentos, finalmente Chinese Democracy World Tour começou em Brasília, mais ou menos às 00h15.
A primeira figura que se vê é Ashba, sua sombra contra um fundo amarelo. O cenário é maravilhoso, uma produção que me surpreendeu. Acima do palco de dois níveis, bateria no centro, há três telões e quatro colunas de laser onde brilham caracteres chineses, jogos de luz e clipes que se revezam e se fundem; além de colunas de fogos, fogos de artifício, explosões, tudo ressoando numa altura e num alcance que a mera visão dos reflexos coloridos fazia o público todo ficar espantado feito criança. O teto se ilumina de vários tons. Diante da grandiosidade, meu olhos se encheram de lágrimas só por estar ali; toda a produção parecia uma gigante festa surpresa.
Chinese Democracy é a primeira música. Olhando em volta, percebi espantada que praticamente só eu sabia a letra. Acho uma das melhores do disco, então cantei como se o show fosse acabar ali. Mas, como eu escrevi anos atrás, nada se compara com a sensação de fim do mundo, de maravilhoso caos, de bomba atômica que é Welcome To The Jungle. Quando eu ouvi aquela voz rouca e metálica berrar “Do you know where the fuck you aaaaaare??” eu posso ter me elevado uns dois metros do chão, pelo pulo que dei. Não podia acreditar que eu estava ali. Não eu. Não depois desses anos todos. Não podia ser Axl Rose. Mais uma vez, chorei (enquanto pulava!).
Em It’s So Easy, DJAshba já começava a mostrar a que veio, e também sua boa interação com Axl, que até esta altura não foi reconhecido pelos meus olhos como estando, de fato, ali. Parecia um boneco que canta, como assim ele veio na minha cidade? As pessoas podem falar o que quiserem de Axl Rose, provavelmente com razão, mas ele é como carne vermelha: todo mundo critica, mas se aparecer na sua frente, você quer roer até o osso. O ginásio delirava com a mera visão do cara, poucos artistas promovem a histeria que ele causa só por estarem presentes. Alguém jogou uma bandeira do Brasil, Axl a pegou, rodou, pôs no ombro. O público baba e se esgoela.
Então ele fez famosa dancinha em Mr. Brownstone. Não me lembro se foi nessa hora, mas alguém da platéia VIP lhe jogou um baseado. Axl pegou, pôs na boca, sentiu o gosto e disse: “Huuummm, thanks, man!”. Risadas gerais, foi a primeira vez que ele interagiu “de verdade” com a platéia.
Em seguida, uma interpretação estranha de Sorry, mais falada do que cantada. Mais tarde, os jornalistas presentes – descobri que a imprensa não manda repórteres pra esses shows, manda odiadores, deve ser pra punir os maus funcionários! – dirão que Axl estava “sem voz” (uma crítica velha, aliás, porque não escrevem que ele está barrigudinho? Pelo menos isso é verdade!). Há opiniões divergentes entre o público. A platéia VIP conseguia ouvir Axl respirar. Na pista, de fato, os graves estavam saindo prejudicados. Na arquibancada, os efeitos sonoros saíam tão altos que muita gente declarou não tê-lo ouvido em boa parte das músicas. Considerando que a acústica do ginásio, apesar do bom equipamento, é uma bosta, não se pode chegar a uma unanimidade. Minha opinião é que, ao contrário de Sebastian Bach, Axl não preservou em todos os aspectos a voz do “antigo” Guns N’ Roses, e não há nada de surpreendente nisso. Um homem tem 48 anos e bebeu, fumou e usou quase todo tipo de substância lícita e ilícita conhecidas, além de ter tido um bom hiato de anos sem cantar com freqüência, Axl está como se esperaria de alguém que levou a vida como ele. Porém seus agudos, drives e modulações de voz estão absolutamente preservados: disso, ninguém pode dizer o contrário. Bach, de fato, é um fenômeno, porque viveu quase do mesmo jeito e teve a voz preservada.
Praticamente sozinha, de novo, me animei com Better, que também acho muito boa. Em seguida, Fortus entra pro solo e... como ele é glam, não? A cara do Joe Perry do Aerosmith, alguém precisa dizer isso pra ele! :) Live And Let Die é acompanhada de muitas explosões, e meu corpo felizmente ainda agüenta pular. O de Axl agüenta correr de um lado pro outro, várias e várias vezes. Barrigudo, mas em forma! :)
A performance de If The World me soou meio desafinada, mas os instrumentos estão perfeitos. É uma música muito gostosa, adoro a linha do baixo. Por falar em baixo, Tommy Stinson traz a mesma competência e menos lápis de olho do que usou no RIR3. :) Também vai muito bem nos vocais, mas achei-o mais contido no palco do que quando ele havia recém-começado na banda.
Foi tão bom ouvir Rocket Queen ao vivo! Tem gosto de adolescência, minha fase inicial de fã. Nos telões, um desfile de mulheres de silhueta atraente. Então, Dizzy ao piano, um solo lindo, emendado com o início de Street Of Dreams, de novo uma do meu coração. Pra quê eu fui parar de pular? Agora, o cansaço bateu mesmo. De certa forma é bom, me recupero encostada na mureta da mesa de som, cantando – sozinha – aquela letra inspirada.
Eu, particularmente, não gosto muito de Scraped. Tudo bem que é animadinha e tal, mas, fora o refrão, nunca me liguei muito nela. Aproveitei pra olhar o ginásio, repleto. Como já diziam: “sonho que se sonha junto é realidade”, então nesse momento eu fui me dar conta que havia outras milhares pessoas ali, e que pelo menos a maior parte delas devia estar se sentido realizada. Ri bobamente, sozinha, e pensei: “cara(lho!), como estou feliz!”
Nessas divagações, quase perdi o início do solo do lindo, maravilhoso, vitaminado, salve, salve DJAshba. Ashba é um caso à parte no Guns. Seu carisma, animação, a forma como interage com o público, são só a cereja no enorme bolo de talento que ele tem. Com perdão dos saudosistas, se eu não estivesse olhando, acharia que Slash estava escondido em algum lugar no palco. Ashba é perfeito, e é melhor que Buckethead. Se é verdade que essa banda é “Axl & Funcionários”, pelo menos Axl sabe contratar os caras certos. Ashba não pára! Pede palmas, deixa o público agarrá-lo, joga palheta, chapéu, garrafas d’água (chegou mesmo a buscar água pra quem pediu!), conversa com o público, se joga na galera – literalmente, ele deu o jump de costas! Em termos de simpatia e espontaneidade, ele é tudo o que Axl não é. Minha impressão era que a gente ia sair de lá dando carona pra ele até o hotel. ;)
Quando Axl sentou ao piano, instalou-se uma atmosfera elétrica no ginásio, e todos sabiam o que viria a seguir. De surpresa, então, a banda mandou um mini-cover de The Wall, do Pink Floyd, com Axl nos vocais, acompanhado em coro frenético pela platéia. Eu descobri a Grande Contemplação quando percebi que era inútil tentar cantar algumas músicas. Eu estava tão emocionada, tão emocionada, mas tããããão emocionada, que minha vida parecia ter se esvaído pelo pé. Eu balbuciava as palavras e, escorada na muretinha amiga, esperava que Deus me levasse, porque eu estava pronta. Eu tinha ouvido Sweet Child O’ Mine (execução perfeita!!!) e November Rain ao vivo. Sweet Child O’ Mine ultrapassou a categoria de música e alcançou a de hino, e nessa hora Ashba mostra porque foi tantas vezes eleito o melhor guitarrista do mundo. Em November Rain, Axl está ao piano branco, cai uma chuva de fogos de artifício, e rola a clássica “paradinha” antes do final. Creio que descobri ali o sentido da vida. :)
Eu estava muito cansada – ou muito em êxtase – pra pular em You Could Be Mine (que Axl ironicamente anunciou como “uma música de amor”), mas não para reconhecer que Frank Ferrer é um puta baterista – e era nessa música mesmo que ele tinha que mostrar serviço. O solo de Bumblefoot, meu guitarrista mais querido da banda, é o tema da Pantera Cor-de-Rosa. O público adora, o cara é mesmo divertido!
Quando Axl entrou, de chapéu branco, pra cantar Knockin’ On Heaven’s Door, o amigo que estava comigo disse, falando sério: “Que susto! Pensei que fosse o Geraldo Azevedo!”. Aí acabou a música pra mim, porque era eu olhar pro Axl e disparar numa crise de riso. Arruinou a beleza do momento! :D
Taí, eu não gosto mesmo de Slacker’s Revenge. Acho um som muito “sujo” pros padrões do Guns. Passo por ela sem comentar. Patience também me desagradou, o Ashba fez umas mudanças no arranjo, e pra mim a música deveria ser imutável.
Fiquei surpresa ao ouvir Nightrain, pensei que seria My Michelle. Gosto demais de Nightrain, e ali dei a pulada final que meu corpo agüentava. Encerramento. Obrigado e boa noite. Claro que quase ninguém arredou pé, e logo Axl estava de volta com Madagascar, pra mim a pérola de Chinese Democracy. Que arranjos, que letra! Ela é a Estranged dos dias de hoje.
Quando vi que o final estava chegando, desesperei. Deu vontade de sair correndo e pular em todo mundo. Me juntei a alguns amigos mais na frente e pulei louca e alucinadamente em Paradise City. Tive não sei saída de onde a energia do início do show. Chorei de novo. Mais uma vez, o mundo acabando. A platéia VIP então desenrolou a bandeira de 5 metros de comprimento que fizeram em homenagem a banda, e que cobria todos os fãs daquela área. Axl, espantado, parou de cantar um momento e mandou um “Holy Shit!” engraçadíssimo. Ele sorriu e chamou Ashba. Todos os músicos ficaram sorrindo, bobos. Enquanto a bandeira terminava de se desdobrar, caiu a chuva de papel picado. Parecia uma cena final de filme. Meio engasgado, Axl agradeceu, disse que demorou muito pra voltar ao Brasil. Era visível que ele estava emocionado, mas estava segurando a onda. Disse, então, mega-irônico, que se desculpava por ter nos mantido a nós, “crianças”, acordadas até tão tarde. “Sei que vocês têm um grande dia na escola amanhã!”. Ah, Axl, Axl...











terça-feira, 29 de dezembro de 2009

12 razões para ir ao cinema em 2010


8 de janeiro 'Sherlock Holmes', de Guy Ritchie

Robert Downey Jr. encarna o famoso detetive numa adaptação moderninha da obra de Conan Doyle. Jude Law e Rachel Adams também integram o elenco.

Jude Law E (não "OU" e sim "E") Robert Downey Jr. num filme só (dois gostosos, charmosos e um deles BRITÂNICO!!), falando do meu SEGUNDO detetive favorito (o primeiro é Poirot de Agatha Christie) E com direçãoo de outro britânico fantástico, Guy Ritchie. Sem condições de perder essa!


22 de janeiro 'Amor sem escalas', de Jason Reitman

Estrelada por George Clooney, a comédia já inicia o ano como uma das mais esperadas, já que é líder em indicações ao Globo de Ouro, participando da disputa em seis categorias. O diretor é o mesmo de "Juno", de 2007.

A direção promete, "Juno" é um filme excelente. E o "Mr. Nespresso" (Clooney) em geral não decepciona.


29 de janeiro 'Invictus', de Clint Eastwood

Morgan Freeman encarna o líder sul-africano Nelson Mandela nesse drama baseado em fatos reais. Matt Damon também está no elenco.

Possivelmente eu veja, por razões profissionais, heheheheeh!!!


12 de fevereiro 'O lobisomem', de Mark Romanek

O terror de época traz Benicio Del Toro como um homem que se transforma em monstro depois que é atacado por lobos. A superprodução traz efeitos especiais prometem impressionar e, de quebra, a atuação do veterano Anthony Hopkins.

Com certeza verei!! Mark Romanek era diretor de clipes e dirigiu alguns dos melhores vídeos de Madonna e Michael Jackson, nos anos 90. Além disso, a família Del Toro já se especializou em terror, seja bem escrito ("Noturno" de Guillermo Del Toro foi um dos melhores livros que li em 2009, tratando de vampiros) ou bem filmado, já que Benicio é um dos atores mais completos de sua geração. Se Anthony Hopkins combinado com suspense não é uma boa razão para ir ao cinema, então eu não sei mais o que é! Por fim, sempre é possível que haja um vampirinho pra quebrar o pau com os lobisomens em questão!


5 de março 'Ilha do medo', de Martin Scorsese

Depois do premiado "Os infiltrados", Leonardo DiCaprio volta a trabalhar com o diretor veterano nesse filme policial. Mark Ruffalo e Ben Kingsley também integram o elenco.

Alguém falou Mark Ruffalo??? TÔ DENTRO!!!! Além de que, ADOREI os Infiltrados, e se for no mesmo estilo, o DiCaprio será inspirador. E, por favor, Scorcese, né?? Não estamos falando do Afonso Brazza aqui!


2 de abril 'Alice no país das maravilhas', de Tim Burton

Com projeção em 3D, a superprodução faz uma adaptação pop do clássico de Lewis Carroll, misturando atores com animação. Com Johnny Depp e Anne Hathaway.

Não tem nada mais deliciosamente insano do que Burton e Depp juntos. E Anne Hathaway é uma das minhas atrizes atuais favoritas.


30 de abril 'Homem de Ferro 2' de Jon Fraveau

Robert Downey Jr. interpreta novamente o herói Tony Stark nessa sequência da aventura, que traz como novidade Scarlet Johansson no papel da Viúva Negra.

Quem viu o primeiro está se coçando pelo segundo. Enough said.


14 de maio 'Robin Hood', de Ridley Scott

Russell Crowe volta a trabalhar em parceria com o diretor de "O gladiador" nessa refilmagem. Cate Blanchett também está no elenco.

Ai, ai, ai...o problema é que ODEIO o Russel Crowe. Porque pela direção e pela Cate Blanchett bem valia....


30 de junho 'Eclipse', de David Slade

Na terceira parte da saga "Crepúsculo", lobisomens e vampiros devem trabalhar juntos para expulsar um grupo de vampiros maus das redondezas. Robert Pattinson e Kirsten Stewart repetem seus papéis no romance.

O grande enfrentamento entre o sangessuga e o vira-lata, com doses de cornice maciça, e possivelmente bem menos batom na maquiagem de Rober Pattinson. Imperdível!!


9 de julho 'Shrek para sempre', de Mike Mitchell

O ogro mais famoso do cinema ganha um quarto longa-metragem, em que Shrek se vê nostálgico, com saudades dos tempos em que tinha uma vida mais simples.

Se for realmente o último Shrek, valerá o ingresso.


6 de agosto 'Remember Me' de Allen Coulter

Remember Me traz a história de dois jovens, Tyler Roth e Ally Craig, vividos por Robert Pattinson e Emilie de Ravin. Tyler e Ally se apaixonam apesar de não terem nada em comum um com o outro, a não ser a dor de terem perdido seus entes queridos de forma trágica.

O grande lance desse filme, pra mim, é: como será que Robert Pattinson atua quando se depara com o papel de um sujeito "normal" que não faz mágica, não é traumatizado de guerra, não é geek, não é vampiro e - principalmente e graças a Deus - não atua de batom ao lado da Kristen Stewart?


13 de agosto 'Tropa de elite 2', de José Padilha

O fenômeno do cinema nacional ganha continuação, com Wagner Moura de volta ao papel de Capitão Nascimento. A trama começa 15 anos depois do final do primeiro filme e mostra o crescimento do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio (Bope) e a formação das milícias na cidade.

Eu AMEI o primeiro filme e tenho um tesão SEVERO pela atuação e pela pessoa do Wagner Moura.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sejam felizes!

Sejam felizes, meus amigos, hoje, na noite da Natal e sempre.
Meus melhores votos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Crítica de Lua Nova (Parte II)

Direto ao(s) ponto(s), shall we?
1. Bonitinho, mas ordinário.
Eu precisei morder minha língua tantas vezes diante da performance pífia de Robert Pattinson nesse filme que ela saiu de lá dormente. O que é isso, companheiro? Quem viu The Bad Mothers' Handbook, Little Ashes, The Haunted Airman, quem viu Crepúsculo for crying out loud sabe que você poderia fazer melhor do que isso! Sem expressões, sem emoção, vago...a única explicação possível é que Robert esteja MESMO de saco cheio da fama, como anda anunciando por aí, e que não entende porque as pessoas são tão obcecadas por ele. Mais um filme atuando assim e eu acabo concordando!
2. The Sweet Hello, The Sad Goodbye.
A cena em que Edward abandona Bella é - por falta de uma palavra mais delicada - um lixo! Nem os bichinhos rastejantes da floresta poderiam acreditar que ele não a amava mais. Na verdade, Robert ia atuando razoavelmente bem até esse ponto do filme, e daí pra frente foi derrocada geral - e olha que ele só volta a aparecer mesmo no final! A cena foi feita com tamanha pressa e desleixo que a impressão é que um celular vibrava no bolso do ator, e ele estava ansioso para atendê-lo. De qualquer modo, sem a explicação do livro, onde Edward leva um tempo bem maior para abandonar Bella e o faz perceptivelmente abalado, não havia como salvar essa cena.
3. O seu cabelo não nega, mulata.
E que tal Jacob Black dando uma de Sandra Bullock e Jasper Hale de Shirley Temple? Tem gente que não fica bem de peruca, claro, mas tem peruca que não fica bem em gente - em ninguém. Pode ter certeza que são essas que os produtores arranjam pra Crepúsculo, desde o primeiro filme!


4. Compre Batom.
Marque a alternativa incorreta:
Onde deve estar o batom vermelho-cereja quando você pede sua namorada em casamento?
a ( ) Na boca da sua namorada
b ( )Na bolsa da sua namorada
c ( )Na mesa de maquiagem da sua namorada, no quarto dela, não importa, contanto que esteja bem longe de você!
d (X )Na SUA boca, porque você é Edward Cullen, o vampiro mais maquiado de todos os tempos.
Eu não posso mais com essa quantidade de batom nos vampiros!!! Um pouco mais de maquiagem e uns scarpins e todo o elenco masculino poderá participar da refilmagem de Priscila - A Rainha do Deserto.
5. Lobo Guará
Vocês conhecem os lobos-guará, aqueles lupinos raquíticos que nem sequer lembram lobos? Esse é o wolf-pack de Lua Nova, adolescentes magros feito varas, todos com a mesma bermuda. Me lembra um pouco a FEBEM.
E agora, senhoras e senhores, descubram como uma cena de dez segundos pode arruinar praticamente uma produção inteira! Ei-la:
6. Como será o amanhã? Responda quem puder.
A essa altura, qualquer um que tenha o mínimo interesse em Twilight já sacou que, um dia, no futuro, Bella Swan será uma vampira. Mas só esse diretor, num óbvio delírio-pós-chá-de-cogumelo, decidiu ilustrar o fato com uma cena de comercial de margarina.
Eu gostaria de conhecer uma só pessoa que não tenha sido tomada por uma onda de vergonha alheia ao ver isso no cinema. Eu engasguei com minha coca-cola. O que é essa roupa de Edward? De onde saiu esse vestido da Bella? Do guarda roupa da Noviça Rebelde?? Só faltavam os pássaros chilreando, veadinhos Bambi correndo em volta e Climb Every Mountain sendo interpretada por Kristen Stewart rodeada de um coro de crianças vestidas como órfãos da Segunda Guerra, enquanto Edward improvisava um balé russo, de batom e tudo.
Enfim, se seu gostei de Lua Nova? Claro! Como eu disse, em se tratando da saga Crepúsculo, qualquer paixão me diverte. Mas, no fim das contas, meu coração ainda bate mais forte pelo primeiro filme, o tosco, desarranjado e esverdeado Crepúsculo. E que venha Eclipse pra que eu pelo menos tenha uma melhor de três.