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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2010, literalmente o ano da virada!

Vou aqui me despedir de um dos melhores anos da minha vida. Sei que não foi bom pra muita gente, mas para mim, 2010 foi nada menos que sensacional! (Peco desculpas pela falta de acentuacao!)

Já começou comigo encarando um desafio enorme, em fevereiro, quando fiz minha cirurgia bariátrica. Fazer essa cirurgia foi a ação resultante de mais de um ano de muita reflexão, pesquisa, conversas com outras pessoas que foram operadas, conversas com médicos, consultas à família e amigos mais próximos. Nunca vou me esquecer de estar "na varanda" do meu antigo apartamento, quando ainda morava sozinha, conversando com minha melhor amiga, e dizendo a ela que estava disposta a uma mudança radical e que não haveria volta, uma vez que eu disparasse em direção a esse futuro.

O dito, o feito. Fiz minha cirurgia e emagreci, até agora, pouco mais de 36 kg. Não tem como explicar o que é emagrecer esse tanto pra quem nunca teve problemas de peso. Uma comparação aproximada para uma pessoa magra seria, talvez, ter um filho. A mudança é total e incomparável com qualquer outra experiência, e a vida começa a ser vista de um outro ângulo. Na verdade, assim como com um filho, a vida recomeça.

E entao em marco eu fui pela primeira vez ao show de uma banda que amo de todo o coracao, o Guns N' Roses. Foi maravilhoso realizar o sonho de ver o Guns ao vivo, e em minha cidade, embora da banda original so reste mesmo o Axl e o tecladista. Pude tambem ir ao hotel e conheci parte da "nova" banda pessoalmente, caras muito legais e receptivos, eu nao esperava por isso! E, logo em seguida, tive a oportunidade de ve-los mais perto no palco, quando ganhei o ingresso da pista VIP do show em Porto Alegre. E mal eu sabia que iria nesta cidade conhecer algumas pessoas sensacionais que se tornaram minhas amigas e me acompanharam por essa estrada de rock e crescimento o ano todo!

Em abril recebi a comitiva do Presidente da Africa do Sul, marcando a minha melhor atuacao no trabalho ate hoje. Muito sofrimento (fisico, inclusive, pois o corpo ainda estava se adaptando ao novo estomago) e muita tensao, mas no fim, um trabalho elogiado e reconhecido, que me deu seguranca ate mesmo para sonhar com um futuro profissional diferente!

Foi em abril tambem que comecei a fazer exercicios fisicos com regularidade. Entrei numa academia e, para minha eterna surpresa, adorei malhar! Consegui um corpo mais definido, mais bonito, mais saudavel e uma disposicao sem fim! Aprendi, devagar, a cozinhar, para poder ter uma alimentacao mais condizente com meu novo estilo de vida, e hoje cozinhar me traz um prazer sem igual...tao ou maior do que comer, talvez!

Em maio tirei uns dias de folga muito merecidos e fui para Sao Paulo, rever parentes que nao via ha muitos anos e encontrar e reencontrar amigos, alem de ver o show do Aerosmith, que foi muito bom, embora tenha ficado um pouco abaixo da minha expectativa. E em SP o coracao balancou pela primeira e unica vez em 2010. Independente do desfecho, foi muito bom ter conhecido esse cara e ter vivido momentos extremamente marcantes da minha (nova) vida com ele, por causa dele, e mesmo para esquece-lo. Tudo valeu a pena.

Quando voltei, em junho, comecou a temporada de festas e baladas...e de conhecer mais gente! Um casamento em junho me deu um momento magico de uma danca surpresa; e depois mais festas, e mais dancas, e mais surpresas...definitivamente minha vida social foi um absoluto sucesso em 2010! Teve Copa do Mundo tambem, e a interacao com os colegas de trabalho foi muito maior e melhor do que jamais havia sido! Um coleguismo muito positivo neste ano que passou!

Segue junho...e um ano da morte do meu querido Michael Jackson reacendeu minha veia romancista. Estou escrevendo uma historia sobre ele, que nao sei se quero publicada, mas com certeza foi/esta sendo uma das minhas melhores historias ate hoje, tenho tanto orgulho dela! E tambem no finzinho de junho conheci a Gabi, a Celia e o Projeto I'll Be There, que com certeza vai me dar muito mais alegrias em 2011!

Agosto, meu aniversario! Tanta gente especial...uma comemoracao simples, mas regada a uma alegria sincera! Eu pude olhar em volta, sorrir e dizer: "estou bem, realmente bem!". Nao me lembrava da ultima vez em que meus sorrisos foram tao espontaneos e a minha alegria tao despreocupada!

Outubro vieram mais ferias! Muito, muito aguardadas e planejadas! Afinal, outubro significaria 1) reuniao das amigas 2) num show do Bon Jovi e ainda por cima 3) na gloriosa Sampa! Foi sensacionalmente incrivel, sem igual, perfeito e inesquecivel! O melhor show do ano, as melhores baladas do ano, a maior diversao possivel! So o que eu queria era que todos os meus meses fossem infindaveis outubros de 2010! :D

Em novembro veio a confirmacao da minha mudanca e a venda do apartamento que possibilitou a compra da minha nova (e linda, diga-se de passagem!) casa. Isso deixou minha familia mais unida, tranquila e feliz. Ter planos sempre ajuda a ter mais equilibrio, nao acham? Gracas a Deus, as relacoes familiares tambem foram muito melhores neste 2010.

Em dezembro me despedi de uma pessoa que foi muito importante pra mim, com quem aprendi muito, mas sofri muito tambem: meu ex-chefe. Depois de cinco anos trabalhando com ele, confesso que as licoes superaram os aborrecimentos e devo as experiencias que tive com ele como meu chefe uma boa parte do que sou hoje como (boa) profissional.

E agora me despeco desse ano fastastico, em que fui corajosa, amiga, atleta, cozinheira, apaixonada, escritora, filha, paciente, secretaria, dancarina, louca, piadista, mas principalmente FELIZ!


FELIZ 2011!!!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Nunca é tarde, sempre é tarde...

O suicídio de Chandler mostra a propensão da imprensa em ser contra Jackson

Por Charles Thomson

Quando surgiu ontem a notícia de que há duas semanas atrás, Evan Chandler, pai de Jordan Chandler, deu um tiro em sua própria cabeça, poucas lágrimas foram derramadas apesar dos melhores esforços da mídia para elogiá-lo.

A maioria dos meios de comunicação estão divulgando Chandler como "o pai do menino que acusou Jackson de abuso sexual infantil". Errado. Chandler foi o pai que acusou Jackson de molestar seu filho.As acusações iniciais contra Jackson não foram feitas por Jordan Chandler, mas por seu pai Evan, apesar da insistência de Jordan de que Jackson nunca o tinha tocado de forma inadequada, uma postura que o rapaz manteve por vários meses.As relações entre o pai do menino e Jackson tinham azedado no início de 1993, quando Evan pediu ao popstar para construir uma casa para ele e Jackson recusou educadamente. Um roteirista fracassado, Chandler contactou Jackson pouco depois e lhe pediu para negociar três ofertas de roteiro em seu nome. Se Jackson não cumprisse, disse ele, o acusaria de abusar sexualmente de seu filho. Jackson não cumpriu - e o resto é história.

Conforme revelado por Mary Fischer em seu artigo de 1994 para a revista "GQ", intitulado 'Was Framed Michael Jackson?' - Jordan Chandler apenas alegou ter sido molestado por Jackson após Evan - um dentista de profissão - dopá-lo com uma droga alucinógena chamada amytal de sódio, que é conhecido por induzir a síndrome da falsa memória.Mesmo quando Jordan Chandler começou a seguir a linha de seu pai, o seu testemunho foi tão convincente que o Promotor Tom Sneddon levou seu caso para três júris distintos e nenhum deles lhe permitiu fazer acusações contra Michael Jackson. Ao contrário do mito amplamente divulgado, Jordan Chandler não descreveu com precisão os órgãos genitais de Jackson. Dentre outras imprecisões, ele alegou que Jackson foi circuncidado, enquanto fotografias da polícia provaram que ele não era.Sem surpresa, nenhuma dessas informações fez o seu caminho em reportagem da mídia sobre a morte de Evan Chandler.

Em vez disso, o suicídio de Chandler é visto como mais uma oportunidade de jogar lama em Michael Jackson e perpetuar os mesmos mitos antigos sobre as alegações de 1993 - particularmente no que diz respeito ao acordo.As notíciários em todo o mundo estão reportando uma vez mais que em 1994 Jackson pagou aos Chandlers por uma acordo. Isto é total ficção.Os documentos judiciais da época dizem claramente que a seguradora de Jackson "negociou e pagou o acordo sobre os protestos do Sr. Jackson e seus assessores jurídicos pessoais".Jackson nem sequer concordou com a resolução, quanto mais pagou.

Entre as publicações que reciclaram esse velho absurdo está o "The Sun", para quem eu dei muitas vezes contribuição como um especialista em Michael Jackson. Fui contactado ontem, e pediram para fornecer informações sobre Evan Chandler e as alegações de 1993, o que fiz. No entanto, nenhuma de minhas informações foram utilizadas - muito provavelmente porque refletem muito bem Jackson.

Mitos que implicam culpa de Jackson são, evidentemente, mais importantes do que as verdades que o exoneram.Notando que o artigo do The Sun sobre o suicídio de Chandler continha várias imprecisões factuais (mais proiminente que Jordan iniciou as alegações de abuso sexual e que Jackson pagou à família uma liquidação) entrei em contato com dois membros do pessoal do jornal - o meu contato habitual e o jornalista que escreveu o artigo. Nenhum e-mail foi respondido e o artigo não foi alterado. Em outro lugar, o "The Mirror" teve um rank muito mais alto na escala de absurdos na tentativa de retratar Chandler como algum tipo de mártir. "O pai Evan Chandler do caso sexual de Michael Jackson queria justiça, mas acabou destruído", dizia a manchete. Justiça? Se Evan Chandler queria justiça, por que ele fez contato com Jackson para pedir um contrato de três roteiros de filme antes de ir à polícia? Se ele queria justiça, por que ele aceitou uma solução com a seguradora de Jackson? Na verdade, o acordo inclui uma cláusula que afirma que dizia que Evan aceitava o pagamento em vez de um julgamento civil, mas isso não afetaria a capacidade da família em testemunhar em um processo criminal. Portanto, se Evan Chandler queria justiça, por que ele não permitiu que a polícia avançar com a sua investigação? O título, juntamente com grande parte do artigo, é um disparate.Tendo tomado da seguradora de Jackson a quantia inferior a $15 milhões (e não os $20 milhões ditos pela imprensa), em 1996 Evan Chandler tentou processar Jackson por mais US $60milhões após afirmar que o disco HIStory da estrela foi uma violação da cláusula de confidencialidade do acordo.

Além de tentar processar Jackson, Chandler solicitou que o tribunal lhe permitisse produzir um disco de resposta chamado "EVANstory".É, isso mesmo.Então, o homem que o "The Mirror" afirma que apenas tinha "pensamento de justiça" queria lançar um álbum de música sobre o suposto abuso de seu filho pré-adolescente.O "The Mirror" aludiu ao fato das relações entre Jordan e os seus pais terem sido tensas a partir de 1993, mas colocou a culpa em Jackson, alegando que o trauma do caso os tinham separado.

Na realidade, Jordan Chandler foi ao tribunal quando ele tinha 16 anos e ganhou a emancipação jurídica de ambos os pais. Quando chamado para aparecer no julgamento de Jackson de 2005, ele se recusou a testemunhar contra seu ex-amigo. Se ele tivesse ido, a equipe jurídica de Jackson tinha um número de testemunhas que estavam dispostas a testemunhar que Jordan - que hoje mora em Long Island sob um nome falso - havia dito a eles nos últimos anos que ele odiava seus pais pelo o que o fez dizer em 1993, e que Michael Jackson nunca o havia tocado.

A evidência em torno das alegações de 1993 apóia completamente a inocência de Michael Jackson. É por esta razão que, durante a longa investigação, que continuou por muitos meses antes da seguradora de Jackson ter negociado um acordo, Michael Jackson nunca fora preso e ele nunca foi acusado de qualquer crime.A evidência sugere esmagadoramente que Evan Chandler planejou as alegações como um esquema para ganhar dinheiro, acreditando que iria ajudá-lo a alcançar seu sonho de trabalhar em Hollywood. Uma fita gravou conversas telefônicas onde se ouve ele dizer que o bem-estar do menino é "irrelevante" e afirma que ele queria tomar de Jackson tudo o que ele merecia (Clique em http://www.buttonmonkey.com/misc/maryfischer.html para o artigo de Maria Fischer na GQ, que contém transcrições dos telefonemas).A evidência de Mary Fischer mostra que, assim como a falsificação de abuso sexual de seu próprio filho em uma trama de extorsão elaborada, quando Jordan se recusou a jogar junto com Evan este o drogou com substâncias que alteram a mente em uma tentativa de enganá-lo a acreditar que ele foi molestado.Mas mesmo drogar uma criança como parte de um lote de extorsão não foi o ponto mais baixo de Evan Chandler. Este veio quando ele pediu ao tribunal para lhe permitir lançar um álbum de música sobre o suposto abuso sexual de seu próprio filho.

Se Evan Chandler queria justiça, ele conseguiu há duas semanas.Quanto à mídia, este último incidente cimenta mais uma vez a relutância quase total da indústria em relatar com precisão e honestidade sobre Michael Jackson, em particular sobre as acusações falsas de abuso sexual que foram feitas contra ele. Nenhuma das informações acima e as provas foi incluído em qualquer artigo sobre o suicídio de Chandler que li até agora, apesar do fato de eu, pessoalmente, tê-las entregues a pelo menos um jornal que já tinha me contratado em outras oportunidades como um perito de Jackson para outras histórias. Fatos de justificação são negligenciados em favor de mitos eróticos. Um negro humanitário é tachado como um pedófilo e seu chantagista branco é pintado como um mártir.

Quanto à Jordy Chandler, talvez com o seu pai desaparecido, ele encontre a coragem para fazer a coisa honrosa. Talvez ele virá à tona em algum lugar e dirá ao mundo o que ele está dizendo a seus amigos por mais de uma década - que Michael Jackson nunca colocou um dedo sobre ele. Até então, eu suspeito que ele vai viver com o mesmo tormento que parece finalmente atingiu seu pai, desconfiadamente logo após a morte da maior vítima de tudo isso, Michael Jackson.

Charles Thomson é um escritor freelance baseado em Essex. Um especialista em black music, Charles tem contribuído para revistas, incluindo "Mojo" e "Wax Poetics", bem como a edição de sua revista própria, "Jive". Uma autoridade em música soul e funk, Charles apareceu no programa ''Electric Proms Round-Up"em 2006, onde ele foi visto falando com James Brown. Charles desde então tem trabalhado para o "The Sun" como uma especialista em Michael Jackson e foi entrevistado pela Sky News, BBC News 24 e Serviço Mundial da BBC, na noite da morte da estrela.

Recebi de Daniel Azambuja, a quem agradeço imensamente.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mundinho (Carta aberta)


Caros concidadãos que habitam esse planeta,

Tem sido absolutamente chocante observar a maneira como todos vocês, nos últimos dias, "descobriram" Michael Jackson.

Eu, como já externei aqui, que sou uma admiradora há quase 15 anos, estou entre surpresa e revoltada. Então ele era mesmo bom, hein? Mesmo?! Um músico de extraordinário talento?! Um ativista dos direitos humanos? Um cara caridoso?!! Bom pai?!! Deveras interessante. Eu só me pergunto onde vocês estavam desde, sei lá...1965?

O talentoso e humanitário homem que hoje teve seu funeral-homenagem transmitido para cada canto desse planeta por quantos meios de comunicação existem foi assim desde...sempre. Michael não ficou extraordinário do dia pra noite, ou melhor dizendo, do palco para o caixão. O que aconteceu foi que grande parte de vocês sofria e sofre do maior mal que assola a humanidade: a ignorância.

Ou seria preconceito? Dá na mesma. Julgar sem conhecer é isso. O cara passou a vida tentando se explicar, sendo que não havia a menor necessidade. Por quê? Porque simplesmente não é da sua conta!


Vamos tocar nos pontos sensíveis? Vamos cutucar as feridas? Vamos falar das esquisitices? Vamos!!! Vamos sim!


Vamos primeiro falar de aparência. De fato, incomoda muito um homem que nasceu negro e morreu branco, provavelmente o único caso conhecido. É considerada uma negação da própria raça. Curioso foi observar o funeral hoje, em que mais da metade dos convidados que foi homenageá-lo, chamá-lo de IRMÃO, era negra. Para um homem racista, Michael deveria ser bem tolerante.


Filhos brancos, você disse? E que não eram dele, ainda por cima! Realmente um caso a se pensar. Três crianças absolutamente saudáveis e aparentemente felizes, sendo que uma delas não hesitou em pegar o microfone na frente de milhares de desconhecidos e chamá-lo de "o melhor pai que vocês podem imaginar". Faço idéia do tanto que Michael Jackson deveria parecer "monstruoso" para elas, para falarem assim. Além disso, se lhes parece errado uma pessoa criar crianças com quem não tem relação biológica (quem sabe se não tem, aliás? Eu conheci pessoalmente uma família em que o pai negro teve oito filhos, dos quais seis de pele branca) então é bom avisar Angelina Jolie e Madonna para "devolverem" as crianças negras e asiáticas que adotaram.


Plásticas! Como não? Coisa que ninguém fez nesse mundo, só Michael Jackson! De fato, seu rosto fora do comum dos últimos anos era o que se poderia chamar de estranho. Mas eu pergunto, por que padrões? No que a aparência incomum de Michael lhes era ofensiva, exatamente? Por que ele incomodava mais do que as milhares de pessoas que se tatuam (às vezes por inteiro), se furam com piercings dos pés a cabeça, quebram ossos das pernas para ficarem mais altas, retiram costelas para afinar a cintura, submetem-se à desnutrição para entrar em um padrão de magreza irreal e muitas vezes fatal? Se for para falar de inconformismo com o próprio corpo, olhem para o seus! Quantas vezes você desejaram ser mais altos, mais magros, mais fortes, terem outro nariz? A quantos sacrifícios que passam muito longe da preocupação com a saúde vocês se submetem para ficarem ridiculamente parecidos com os idiotas de imagem manipulada que vêem nas revistas?


Abuso sexual. A pior polêmica, a esquisitice mais revoltante. É de dar nojo as pessoas fazendo piada sobre um assunto tão sério. Rir na mesa do bar do "comedor de criancinhas" demonstra duas coisas: uma, que vocês realmente não se importam com o bem estar de criança nenhuma e outra, que a justiça realmente não deve existir. Ser investigado por anos a fio, ser julgado por cinco meses e absolvido realmente não deve ter peso nenhum. Eu me pergunto se fosse um filho de vocês, por quantos milhões de dólares vocês o venderiam a Michael Jackson? Nem por todo dinheiro do mundo?! Mesmo? E o que os faz pensar que só vocês são assim? Será que não havia entre os acusadores NENHUM que pudesse provar o crime? Nenhum exame físico, nada? E por que agora essa enxurrada de jornalistas dizendo que nunca viram nada errado, que tudo não passou de um mal-entendido, que "foi mal, Michael, desculpa aí?"


A resposta está na incrível capacidade humana de converter os mortos em santos. Não, Michael Jackson não era perfeito. Estranho que lhes pareça, era um ser humano. Difícil, polêmico e que provavelmente fez muitas escolhas erradas na vida. Mas é tarde para chorar agora, assim como é tarde para reconhecer que sua genialidade, talento e caridade ultrapassava muito seus comportamentos não convencionais.


Da próxima vez, não esperem tanto. Michael Jackson certamente, onde estiver, está apreciando suas flores, homenagens, seu choro. Mas o que ele queria mesmo, e que vocês nunca se dignaram a dar, era respeito. Muito tarde, agora.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael

Sabe como algumas pessoas são lembradas por seu sotaque, outras por suas roupas extravagantes, outras ainda por seu apreço por uísque? Pergunte a qualquer pessoa que me conheceu desde o início da adolescência e você saberá o que chamava atenção em mim, além da minha verborragia, sarcasmo e habilidade com as palavras: era minha imensa admiração por Michael Jackson.

Michael e eu nos "conhecemos" quando eu tinha ainda treze anos. Numa tarde chuvosa de novembro, há quase quinze anos atrás, a extinta TV Manchete apresentou um especial com todos os clipes disponíveis dele, em preparação para os dois shows que ele faria em São Paulo algumas semanas depois. Eu tinha até então muito poucas referências de música pop, e sabia simplesmente que Michael Jackson era o cara "do clipe do lobisomem"; mas, naquela noite, depois de ser submetida a quase duas horas ininterruptas da magia que aquele homem produzia com sua voz e seu corpo, eu fui dormir apaixonada e embevecida: Michael Jackson passou a ser parte da minha história, da minha juventude e, ouso dizer, o árido terreno da adolescência foi para mim bem mais suportável porque ele existiu.

De lá para cá eu me tornei mulher e Michael se tornou aquilo que você acredita que ele era. Não importa, na verdade. Michael era tão superlativo, tão genial e tão maravilhoso que qualquer título ou classificação, qualquer palavra boa ou má, qualquer piada ou elogio que você atribua a ele era simplesmente pouco, muito pouco, diante do que ele representava - e vai continuar representando - para a música e para o mundo. Pense comigo: como defini-lo? Como traduzir em palavras - nada mais que um ajuntamento de letras - uma pessoa, um músico, um artista, que ultrapassava barreiras físicas, morais, étnicas, culturais? Clichês à parte, este pequeno planeta aqui nada mais era para ele do que um palco; e ele o dominou pelo tempo que aqui esteve.

Sim, porque venham tantos Justin Timberlakes quanto vierem, surjam tantos Jonas Brothers e Ushers e Britneys quanto a máquina da mídia conseguir produzir, eles são, coitados, meros coadjuvantes. Não havia música pop mais completa, rica e palatável do que a que era composta, cantada e dançada e por Michael Jackson.

Sem falar da emoção. Quem não sente uma nostalgia infantil ao ouvir Billie Jean ou não exclama "incrível!" ao ver o clipe de Black or White, ou ainda não fica arrepiado ao ouvir os primeiros acordes de Will You Be There, sinceramente, merece ser questionado quanto a sua capacidade de reação. Falta um bom pedaço do coração àquele que repudia a arte de Michael Jackson.

Quanto à personalidade controversa dele, quanto às (nunca provadas) acusações, quanto à sua aparência, eu nada tenho a dizer. Tenho minhas convicções quanto ao caráter dele. Mas, como afirmei antes, não importa. Tanto não importa que, agora à noite, quando conversei com um jornalista de um jornal local, em nenhum momento ele me perguntou o que eu achava do nariz de Michael, de sua pele multicor ou de seu hábito de se fantasiar com máscaras cirúrgicas: ele perguntou o que eu sentia e o que Michael representava para mim.

Eu digo: Michael era como um amigo distante. Geograficamente distante. Sabe quando conhecemos alguém, essa pessoa se torna muito querida e o destino nos afasta e nunca mais tornamos a vê-la? Pois Michael era isso, o amigo querido que infelizmente nunca vi. Sua música me emocionava e alegrava, sua dança me embevecia e suas aparições públicas sempre aguçavam minha curiosidade. Sei muito de sua história pessoal e musical, li e vi muita coisa sobre ele, escrevi sobre ele em várias fases de nossas vidas - minha e dele - tenho uma vasta coleção de discos, revistas, vídeos, acompanhei seus casamentos, o nascimento de seus filhos, seus shows pelo mundo, suas raras entrevistas, sei de cor piadas que ele fazia até sobre si mesmo - ele era extremamente inteligente e tinha grande senso de humor - e o que eu sinto, hoje, no dia de sua morte (palavra pesada que não se deveria aplicar aos mitos), é uma grande saudade. E me aproprio das palavras de outro artista, Renato Russo: saudade que eu sinto de tudo o que eu não vi.

Porque Michael se foi muito antes do que deveria. Muito antes de eu desenvolver a capacidade de compreender o mundo sem ele. Ele tinha ainda que se apresentar a um público ansioso que o aguardava em Londres, lançar mais alguns discos, criar mais algum burburinho na mídia, se aposentar em alguma mansão da Califórnia ou do Barein e aí então...

Mas o coração do homem que reinventou e sustentou a música pop durante cinquenta anos de vida e praticamente quarenta e cinco de carreira estava fraco demais. Talvez porque ele exigisse muito de si mesmo, mas muito provavelmente também porque exigiram muito dele. E não houve qualquer traço de indulgência do mundo em relação a Michael Jackson nos últimos anos. Estranho, porque sabemos ser tão lenientes com pessoas que comprovadamente lesam o próximo (Sarney, só para dar um exemplo atual), mas não houve benefício da dúvida para Michael. O artista que afetou a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo com sua música era um completo alienígena para a maioria de nós.

Mas não para mim. Eu sou grata por ele ter existido, emocional e bobo que isso pareça. Para mim, Michael fazia muito sentido, todo o sentido do mundo. E é por isso que me permito algumas lágrimas e um profundo pesar pela morte do meu amigo: o maior artista pop que já existiu.

Vá em paz, MJ. Sentirei muita, muita saudade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Dica de cinema: The Laramie Project - A História de Matthew Sheppard

Dez dias em casa com uma perna machucada e sem acesso à TV a cabo fazem as pazes entre você e seu HD.
Quando eu já havia esgotado todo o meu repertório de blogs, sites de cinema, sites de fanfiction, etc. prá visitar, o que me sobrou? Baixar alguma coisa aprazível via utorrent. O problema é que as coisas aprazíveis que eu queria baixar estavam demorando muito, e eu fui visitar então os recônditos esquecidos do meu HD para ver se havia algo que valesse a pena ser visto, ou revisto.
Encontrei na minha pasta de quinquilarias de Dawson's Creek um filme de da HBO de 2002 em que atuava o ator canadense Joshua Jackson (outro do seleto grupo 'Jesus, Me Abana!'), mais conhecido por interpretar Pacey Witter (em Dawson's) e por estar fazendo um grande sucesso com a nova série de investigação/suspense Fringe.
Sem muito entusiasmo, fui ver o filme. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma verdadeira perolazinha do cinema independente americano.
The Laramie Project, filme de Moisés Kauffman, trata de um crime que abalou os EUA no ano de 1998: o espancamento, a tortura e a consequente morte de Matthew Sheppard, 22 anos, na cidade de Laramie, Wyoming. Matthew foi levado de um bar local por dois outros rapazes da cidade de pouco mais de 25,000 habitantes. Foi roubado, atado a uma cerca, e surrado até ficar inconsciente. Permaneceu agonizando por cerca de 18 horas. Encontrado, passou ainda cinco dias no hospital, em coma, até que faleceu em decorrência dos traumas. O motivo do ataque: Matthew era homossexual.
Utilizando-se da estrutura narrativa de documentário, sem no entanto colocar em cena os reais envolvidos, Kaufmann relata a comoção causada pelo ataque a Sheppard na cidade, no país - cenas de Bill Clinton e Ellen DeGeneres protestando contra a violência podem ser vistas - e no mundo. O roteiro baseia-se nas mais de 200 entrevistas que o grupo de teatro encabeçado por Kaufmann e composto por gays e heteros fez com os habitantes de Laramie antes de encenar uma peça sobre o caso. A peça foi um sucesso e Kaufmann decidiu registrar em película a árdua pesquisa feita a priori.
O filme é o que convencionou-se chamar, em inglês, de "wake-up call"; um alerta, demonstrando como as mentes dos habitantes de Laramie puderam ser bem mais estreitas do que suas ruas. Apesar disso, alguns personagens em busca de redenção - perante a sociedade, perante si mesmos, quem sabe? - acabam por surpreender os entrevistadores e se colocam em posição de defender uma nova mentalidade: "Ódio não é um valor em Laramie", dentre eles o padre católico, o policial antes homofóbico, o taxista 'caipira'. Há também, é claro, os rancheiros tacanhos e a esposa de um oficial de polícia que pensam que a morte se Sheppard foi algo que sua própria 'condição' homossexual causou.
Dentre os destaques do filme estão as emocionantes atuações de Joshua, como o barman que foi o último a ver Sheppard com vida, e portanto testemunha-chave do caso; Cristina Ricci, como a melhor amiga de Sheppard; Janeane Garofalo, uma das poucas lésbicas assumidas da região, e Peter Fonda, como o médico que atendeu Sheppard no hospital local.
Vale como reflexão sobre a 'onda' - que já se tornou uma tsunami - de crimes de ódio que assola o mundo. Nunca é demais lembrar que o mandamento é 'Não Matar' e não, não há excessões à regra.