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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Brasília 49

Eu sou de uma época do orelhão vermelho, de ficha;
época em que os Trapalhões eram quatro, e eram os melhores;
banda ainda era conhecida por "conjunto";
programa de sábado era Viva a Noite;
dominó era mais que um jogo, e as crianças gostavam de coisas de criança.

Eu sou de uma época de brincar na rua, trocar papel de carta;
computador era praticamente uma ficção;
ainda não havia Lula lá (nem Roriz aqui);
e viajar de avião era realmente seguro.

Eu sou de uma época em que muita corrupção havia, mas sabíamos onde buscar os culpados,
porque agora eles estão em todo e qualquer lugar (e não só aqui, como se convencionou pensar).

Eu sou de uma época em que essa cidade não era sitiada, inchada;
sou de uma época que do sexto andar via-se o mundo;
hoje é preciso subir ao topo do condomínio fechado.

Eu sou de uma época de ruas livres, amplas,
limpas.
Eu não sei de quem é essa cidade que alaga com as chuvas,
que perturba com o buzinar constante
de um tráfego enlouquecedor.

Eu sou de uma época mais pura, mais colorida, mais divertida e até mais brega;
mas antes a breguice do que a acachapante alienação e o torpor que toma muitos dos cérebros dessa cidade nos dias de hoje.