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domingo, 28 de agosto de 2011

26 Dias

Odeio pensar no acidente, isso me assusta. Penso no exato momento em que o carro bateu...como foi possível não sentir meus ossos se quebrando? Como foi possível não sentir dor naquele momento? Só senti medo, apenas medo. Senti tanto medo de morrer ali, sem ter dito ao meu pai que o amo, sem ter pedido perdão a minha mãe pelos meus erros, sem ter visto minha irmã de novo, minha sobrinha, minha irmã caçula...sem nunca ter ouvido minha irmã caçula dizer que me ama...
Há 3 dias fiz 30 anos; uma idade, para mim, inacreditável. Incrível que nunca pensei que pudesse chegar aos 30 e, ironicamente, quase morri antes. Eu nunca sonhei com os 30 anos, sempre temi essa idade, sempre a relacionei com "o início do fim". E quase foi mesmo o fim de tudo...
Por que têm acontecido coisas tão fortes na minha vida nos últimos 3 anos? O que estou fazendo de errado? O que estou fazendo de certo? Será que vou algum dia ter uma vida sem sustos?
Acho que agora não conseguirei responder a nenhuma dessas perguntas...mas tudo bem. Sinto-me extremamente jovem e ao mesmo tempo muito, muito velha...
Esse texto termina aqui, meio seco, eu sei...mas se eu escrevesse mais, agora, o faria por quem vai ler, e não por mim. E, no momento, tento ser indulgente comigo, pois já me culpei e me cobrei demais... :)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Brasília 49

Eu sou de uma época do orelhão vermelho, de ficha;
época em que os Trapalhões eram quatro, e eram os melhores;
banda ainda era conhecida por "conjunto";
programa de sábado era Viva a Noite;
dominó era mais que um jogo, e as crianças gostavam de coisas de criança.

Eu sou de uma época de brincar na rua, trocar papel de carta;
computador era praticamente uma ficção;
ainda não havia Lula lá (nem Roriz aqui);
e viajar de avião era realmente seguro.

Eu sou de uma época em que muita corrupção havia, mas sabíamos onde buscar os culpados,
porque agora eles estão em todo e qualquer lugar (e não só aqui, como se convencionou pensar).

Eu sou de uma época em que essa cidade não era sitiada, inchada;
sou de uma época que do sexto andar via-se o mundo;
hoje é preciso subir ao topo do condomínio fechado.

Eu sou de uma época de ruas livres, amplas,
limpas.
Eu não sei de quem é essa cidade que alaga com as chuvas,
que perturba com o buzinar constante
de um tráfego enlouquecedor.

Eu sou de uma época mais pura, mais colorida, mais divertida e até mais brega;
mas antes a breguice do que a acachapante alienação e o torpor que toma muitos dos cérebros dessa cidade nos dias de hoje.