sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Paixao de ocasiao

Desculpem a demora (onde estao os protestos?) e desculpem a falta de acentuacao.
Ontem fiquei sabendo de uma coisa muito, muito estranha: eu tenho um admirador secreto. Nao e demais? A vida inteira eu quis ter um e, agora que tenho, nao tenho muita certeza do que fazer com ele, ou pelo menos com essa informacao.
Consta que o tal admirador trabalha com meu cunhado, e ja prestou alguns servicos aqui para o meu local de trabalho. Fiquei sabendo que e muito timido e que nas poucas vezes que conversou comigo, me achou seria, de ar autoritario e superior. Bom, sou assim mesmo no trabalho, nao desperdico conversa. Outra coisa curiosa e que a familia dele tem apartamentos no predio onde moro, portanto ele ja me viu la. Tantas coincidencias e eu, infelizmente, nao sei de quem se trata.
Acho muito curioso que em pleno seculo vinte e um uma pessoa possa se interessar pela outra, no "nivel" em que ele se diz interessado, sem nunca ter havido uma conversa propriamente dita entre os dois. Ta certo que tem ate uns fulanos que trabalham comigo, ou moram perto de mim, que acho umas coisinhas lindas de meu Deus, mas dai a gostar, sei la...
Tambem tenho que ter um desconto. Depois de tudo que passei, estou na fase "homem-e-tudo-a-mesma-m...", descrente da vida, e tao ocupada comigo mesma que precisaria o Thiago Lacerda me aparecer montado num cavalo branco declarando amor eterno para que eu voltasse a ter fe em relacionamentos.
Mas de qualquer forma, Sr. Desconhecido (eu ate sei seu sobrenome, mas imagino que voce prefira que nao venha a publico!), se voce estiver lendo isso, apareca! Estou achando isso tudo muito interessante, e quem sabe, sei la, esse interesse se estenda ate voce?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pausa

Deu pra entender porquê, né? Dia 10 volto a blogar!!!
Beijinho...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ingresso comprado

Nunca me senti assim por causa de um filme. Nem Lua Nova me anima tanto. Sinto como se estivesse prestes a vê-lo, ao vivo, no palco. É muito estranho. Comprei ingressos pra duas sessões no mesmo dia, fora as que ainda devo ver nas duas semanas em que estiver em cartaz. É como se, depois desse filme, Michael fosse desaparecer. Fico dividida entre a emoção de vê-lo "em ação" depois de tantos anos e a certeza de que, na verdade, ele nunca mais estará em ação. Sensação de "nunca mais" é uma das piores para se sentir, um dia falo mais sobre isso...
Anyway, This Is It!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mais um adeus


Êta aninho brabo!
Morreu ontem mais um dos meus ídolos, Patrick Swayze.
Embora a morte de Patrick fosse "esperada", já que ele lutava com um câncer de pâncreas há alguns anos, não deixa de ser uma perda sentida. Primeiro, porque ele, como Michael, também se vai muito novo (57 anos). Depois porque ele representava, junto com Matt Dillon, Tom Cruise, Ralph Macchio, Rob Lowe e Emilio Estevez, um time de "galãs" (ainda se usa essa palavra??) que foram ícones dos anos 80 pelos filmes de que participaram - quem não se lembra de Vidas Sem Rumo, O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas ou Clube dos Cinco está muito novo pra ler meu blog! :) Posso dizer com toda segurança que esses caras eram os Zac Efrons e Robert Pattinsons dos meus dias de infância, com menos glamour, mas mais versatilidade.
Tanta versatilidade tinha Patrick que ser ator era só uma das coisas que ele sabia fazer bem; a outra era dançar. Ele era bailarino de formação, trabalhou na Broadway e chegou a ser convidado para trabalhar com Mikhail Baryshnikov, mas não pôde fazê-lo devido às lesões nas pernas de quando era jogador de futebol americano.
Patrick era tão apaixonado por dança que mesmo a biografia que escreveu meses antes de morrer, com a ajuda da mulher, Lisa Niemi (também bailarina) chama-se "One Last Dance" (que é também o nome do filme de dança que fizeram juntos em 2003).
E foi dançando que Patrick marcou minha vida. O filme Dirty Dancing, de 87, é até hoje meu filme favorito, sem discussão. Paro o que estiver fazendo para vê-lo e me emociono todas as vezes. A cena final entre ele e Jennifer Grey é algo tão forte para mim que evoca uma sensação absolutamente particular quando a vejo: fico eufórica, é felicidade em estado puro. Nesse filme, Patrick também cantou: ouça She's Like The Wind, da maravilhosa trilha sonora inspirada nos anos 60. Já conhecia a música, não? Pois é dele!
Em 90, em Ghost - Do Outro Lado da Vida, outro filme delicioso que marcou toda a década, ele esteve absolutamente fantástico. Patrick era um daqueles raros casos de homens bonitos e charmosos que não precisam se esforçar em nada para se fazerem irresistíveis. Devo ter visto Ghost umas vinte vezes e pra mim a cena em que ele, já "desencarnado", passa a noite cantando no ouvido de Oda Mae (Whoopi Goldberg), é uma das melhores atuações da carreira de ambos.
Por fim, destaco Caçadores de Emoção, em 1991, com Keanu Reeves. Patrick como um surfista assaltante de bancos, além de comprometer a flexibilidade da minha mandíbula para sempre, de tanto que meu queixo caiu com a beleza dele nesse filme, dá um banho bem dado de atuação em Reeves que, vamos combinar, nasceu e vai morrer sendo o Neo de Matrix.
Há ainda filmes menos blockbuster, como Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo, Julie Newmar, em que ele interpreta um travesti (papel corajoso para quem era um símbolo sexual), Matador de Aluguel, Donnie Darko, enfim, a lista vai longe, e o talento de Patrick era tão extenso quanto ela.
Eu tenho meio que uma experiência "pessoal" com Patrick: nos anos 90, logo depois de Ghost, ele veio ao Brasil e ficou hospedado no Copacabana Palace, onde eu tinha uma prima que era guest relations. Minha prima disse que ele era simplesmente o camarada mais legal do mundo, simples, simpático, sem nenhum estrelismo. Com frequência, descia à recepção pessoalmente para pedir algo ou fumar - ele fumava escondido da mulher - e em geral, vinha só de calça jeans. Desnecessário dizer que minha prima precisou de toda a concentração e fôlego que podia reunir para conversar com ele de forma coerente :) Acabou que ela me mandou uma foto autografada (que não é a que está abaixo) e que, devido à morte dele, claro que vou revirar minha vida de cabeça pra baixo prá achar.
Enfim, eu gostava muito de Patrick. Tinha talento, beleza, humildade, simpatia. Eu poderia acrescentar que era também discreto e nunca, nunca mesmo, esteve envolvido em polêmicas, escândalos, mas isso não é algo que uma fã de Michael Jackson veja como uma especial qualidade ;)
Eu gostava de Patrick principalmente porque ele parecia ser absolutamente genuíno e marcou uma época de inocência e romantismo que eu vejo lentamente se esvair, e isso me dói.
Tá bom, né, Dona Morte, já deu! Pode recomeçar agora só em 2010...






terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dos fofos

A idéia partiu de um amigo. Conversávamos sobre o conceito de "fofura masculina" e esse meu amigo disse sentir-se extremamente incomodado quando uma mulher com quem ele está saindo o chama de "fofo"...
" - Se quer elogiar chama de másculo, de viril, de charmoso... 'fofo' não!"
Tá certo. Se eu fosse homem, também gostaria de apresentar todas as qualidades do George Clooney.
Mas o problema é que o meu amigo é fofo. Tosco, mas fofo. E ele, como muitos homens, não entende que a fofura é o que há de mais moderno em termos de qualificação masculina. E é isso que essa que vos escreve vai tentar explicar porquê.
Logo, comecei uma pesquisa para saber a origem da resistência masculina à clasificação "fofal". Obviamente, tive que recorrer a especialistas para elaborar a definição de 'fofo'. Felizmente, minha amiga Tayssa (ela disse que não faz questão do anonimato, então...) veio em meu socorro, eis a opinião dela: "fofo é aquele que faz a gente suspirar com atitudes muito mais do que com visual, aquele que numa olhadinha desperta uma fisgada no estômago, e ele não é lindo!"
Bom, não deve ser lindo. Tem que ser feio? Acho que não. O que ela quis dizer, e eu concordo, é que a beleza não é nem de longe o traço primordial do fofo. A característica física mais marcante do fofo, na minha opinião, seria o sorriso. Pense na pessoa mais feia que você conhece e "atarrache" no rosto dela o sorriso mais bonito que você pode imaginar. Muda tudo, não é mesmo? A menos que seja o Sarney. Nada salva o Sarney, vamos combinar...
Então, um cara sorridente. E o que mais? Tayssa continua: "ele te recomenda um filme porque lembrou de você". Culto, então. Não que todo homem que vá ao cinema seja culto mas, pelo menos, deve possuir de um intelecto "desengessado" para poder relacionar um filme à personalidade de uma mulher. Inteligência e cultura são coisas tão, mas tão sexy que, se engarrafassem e vendessem, por exemplo, o Vaticano em dois tempos ficaria com a população da China.
Minha madrasta, que também me serviu de consultora para esse texto, sugeriu que o verdadeiro homem fofo é aquele que elege a música do casal. Mais uma vez, só de um cara ter apreciação por música verdadeira (e não o lixo a que estamos submetidos atualmente) já é uma característica mais do que sedutora. Se uma boa música o faz lembrar de uma mulher legal, então...ponto pra você, queridão!
Talvez a definição mais legal tenha sido essa: "o cara fofo é aquele que dá uma rosa em vez de um buquê". Eu tive um cara assim (que felicidade, a minha), que me entregava uma rosa (ou duas, ou três, dependendo do número de meses que ficávamos juntos) e sempre me fazia entender que não era a rosa, era o gesto. Grande profissional da fofura, esse cara.
Há ainda a educação. Não educação formal (que também é indispensável, afinal, ninguém merece ter que andar com o namorado de um lado e a gramática - prá acertar na cabeça dele - de outro), mas o que se convencionou chamar de finesse. Quanto mais educado, cortês, cavalheiro, melhor. Não, querido, não precisa jogar sua camisa na poça d'água pra eu passar (embora, dependendo do que estiver embaixo da camisa, até que seria interessante!) mas, que tal abrir a porta do carro, me deixar entrar primeiro no elevador, desatarrachar aquela tampa maldita pra que eu não quebre a unha? Juro que é fácil, indolor, e ainda aumenta significativamente as chances de que eu venha me interessar por você.
Mas então, se ser "fofo" é basicamente ser cortês, inteligente e possuir alguma sensibilidade, por que será que os homens resistem tanto ao rótulo? O problema é que um homem acha que se uma mulher o considera fofo, está a um passo de considerá-lo gay. Mas é justamente o contrário! O quão certo de que gosta de mulher um homem deve ser para que sinta-se tão à vontade com seus sentimentos de modo a expressá-los com sensibilidade, ternura e romantismo? Cem por cento, eu diria! Eu justamente desconfio da masculinidade de um cara que transforma a mulher em um objeto, um bem durável. Se um homem vê sua mulher como algo que ele "possui" assim como seu carro ou sua casa, certo é que não é nela que ele deposita amor. Deve então ser em si mesmo ou em outro homem.
Portanto, rapazes, quando uma mulher os chamar de "fofos", saiba que ela os considera ocupantes da mais alta escala do universo masculino (e hetero). Aproveitem!

Fofo nato: Joshua Jackson

domingo, 30 de agosto de 2009

29 de agosto

Esse texto não é meu*, mas certamente eu não poderia ter escrito melhor.

"Michael Jackson, se estivesse vivo, completaria hoje 51 anos. Diz a lenda que ele começou sua carreira profissional aos 09 anos de idade... Bom, a lenda diz isso, porque um garotinho de 11 anos cantando como um homem maduro seria muito interessante, só que um de 09 seria mais ainda, não é mesmo? Foi então aos 11 anos que Michael Jackson entendeu que seria um criador de lendas, um vendedor de fantasias, um contador de estórias.

De lá para cá, ele se vestiu de lobisomen, inventou passos antigravitacionais, cantou em falsete, morou na Terra do Nunca, refez o rosto, mudou de cor, espalhou estátuas gigantes pelo mundo, fez compras de pijamas, etc, etc, etc... até o dia em que deixou o palco em pleno Plantão da Rede Globo para derrubar o Google e parar o mundo.

Um homem nunca tinha feito nada disso antes. Na verdade, um homem nunca fez isso e nunca o fará. Michael Jackson nunca foi um homem, foi um sonho sonhado por um garotinho de Gary e vivido por milhões espalhados pelo mundo. Se queriam um monstro, faziam dele um monstro. Se queriam um guerreiro, ele seria o guerreio. Vai aí um garotinho inocente ou um mega-empresário? Peter Pan ou Don Juan, afinal? Depende de qual for sua fantasia mais secreta, meu bem.

Cada um fez seu próprio Michael Jackson, projetando nele o que havia no fundo do seu próprio ser... de bom ou de ruim. Um homem apenas jamais poderia ter sido Michael Jackson. O mundo foi Michael Jackson. Quando o epicentro desse mundo saiu de cena no dia 25 de junho, era como se uma doce ilusão tivesse se esvaecido no ar. Um tsunami na terra da fantasia. Como se a realidade cinza e opaca nos oprimisse de repente com toda sua brutalidade. Até quem o odiava chorou. A quem odiar agora? Quem seria o monstro? Quem o amava morreu um pouco por dentro. A quem amar agora? Quem seria o herói? Nem os médicos queriam acreditar. Ao contrário do que manda a prática, trabalharam nele por horas tentando reanimá-lo. Quem ousaria declarar o óbito de um sonho?

Porém, depois da tragédia, por mais que doa a saudade do nosso mágico de Oz, já entendemos que a magia não morre. Como cada um de nós sempre construiu um Michael Jackson para chamar de seu, assim, ele será conservado em cada coração. É isso a imortalidade, afinal. É deixar de ser homem em um ponto físico do espaço para ser um refúgio encantado na mente de tantos. Michael Jackson está vivo e completa hoje 51 anos. Parabéns para todos nós! "



*Fonte: MJ Beats (http://www.reidopop.com/mjbeats/showthread.php?t=17246)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O gato

Ok. Anos sem escrever. Eu sei, eu sei!! Assim não há carreira de jornalista que tenha futuro! Mas houve motivos, ora se houve! Eis o primeiro deles:

Ganhei um gato. Não, não foi bem assim, adotei um gato abandonado. Eu amo gatos, e felinos em geral. Uma das maiores frustrações da minha vida é nunca ter visto um tigre de perto. Eu teria um em casa, se isso não implicasse em minha morte eminente e se o condomínio aceitasse tigres (hahaha). No meu escritório, há três grandes quadros: um leão, um leopardo e um tigre branco. Enfim, felinos são tudo de bom. Mas para entender esse gato é preciso que eu conte uma historinha.

Quando eu tinha dez anos, mais ou menos, "criei", escondida da minha mãe (que sempre foi uma "adoradora de cachorros"), uma gata malhada cinzenta que estava prenha; eu todas as noites abria a janela do quarto e ela aparecia, e eu dava comida e brincava com ela até que minha mãe vinha me dar boa noite e eu tinha que tirá-la do quarto...era provavelmente a gata mais bonita que eu já vi e, por causa dos olhos amarelos, eu coloquei o nome de Natasha. Aquela, da novela Vamp. Lembram?
Uma noite, a Natasha sumiu. Acho que foi ter seus bebês e se "esqueceu" de mim. Fiquei chateada, em princípio, mas depois entendi que essa é a natureza dos gatos - e de muitas pessoas, também: elas passam por nossas vidas por um momento, estabelecem uma relação e depois se vão. Eu não gosto de que chamem os gatos de "traiçoeiros", porque eles não o são e, mesmo que fossem, seriam mais parecidos com os humanos em "personalidade" do que os cachorros. Cachorros são fiéis, alegres, em geral bondosos e fazem o que conseguem para agradar quem gostam. Eu não conheço muitas pessoas assim.

Voltando ao presente, minha mãe me ligou semana passada dizendo que uma colega de trabalho dela tinha achado um gatinho preto de meses de idade que miava de fome. Perguntou se eu queria. Claro que sim, eu disse, e a colega da minha mãe o recollheu e levou para uma clínica veterinária, onde ele foi alimentado, limpo e vermifugado. Tudo maravilha. Fiquei super animada e fui buscá-lo já com um nome na cabeça: Michael. Coincidentemente era um gato negro, mas se ele fosse de qualquer cor teria o mesmo nome *** pausa para você que não gosta de MJ pensar na sua piada, e para você, que é inteligente, entender porque não importava a cor do gato para ter esse nome***

Enfim, cheguei lá e foi amor à primeira vista: Michael tinha por volta de 3 meses, patas bem grandes, uma cauda bonita e era extremamente afável. Mesmo sendo de rua, tinha um ótimo temperamento e não arranhou ninguém da clínica, e se deixava acariciar sem problemas. Levei-o para casa já munida de gaiola, arranhador, ração, caixa de areia, etc. Montei todo o "circo" para Michael e peguei dicas com alguns amigos "gatólogos", parecia que ia se estabelecer uma longa e feliz amizade entre eu e meu gatinho.

No caminho pra casa, Michael, sem querer, me deu uma arranhadinha. Entendo, ele estava assustado com a gaiola. Não doeu nem sangrou mas, imediatamente, o local inchou e ficou vermelho feito picada de mosquito. Pensei: que beleza, acho que sou alérgica. Mas, quem me conhece, sabe que minha teimosia e vontade superam qualquer coisa. Deve ser, pensei, falta de costume. Depois isso passa.

Em casa, dei uns espirros (tinha começado a chover e eu achei que poderia estar pegando um resfriado), e senti uma "leve" coceira, tipo em mim TODA, ao lidar com o gato. Mas achei que com o tempo ia passar. De fato, diminuiu com o passar das próximas horas, mas não acabou. Mas o pior ainda estava por vir.
De noite, o bichinho, que vai ver tinha insônia, ou estava acostumado com essa vida boêmia de dormir de dia e gandaiar de noite, "passeou" toda a madrugada, especialmente por minha cabeça. Se dormi três horas, exausta, foi muito. Além do que, desacostumada com uma "presença viva" em minha casa, cada vez que o gato pulava na cama eu acordava e meu coração ameaçava sair pela boca. Cheguei mesmo a gritar: AAAAAAAHHHH, UM GATOOOOO!!! - pra em seguida, emendar em voz baixa: o meuuuuuuu... . Foi patético.

Mas o tiro de misericórdia foi porque Michael ainda não tinha treinamento em "toalete" e, claro, não procurou institivamente a caixa de areia - duas, eu havia comprado! - quando precisou fazer suas "necessidades". Fez lá mesmo no pufe da sala, jurando que aquele assento de couro tinha boas propriedades "enterrativas" (pra quem não sabe, os gatos, bichos que só podem ser virginianos de tão limpos, procuram sempre enterrar suas fezes). Quando fui limpar aquele "serviço", desencadeou-se uma crise de espirros MONSTRA, sendo que espirrei DOZE vezes seguidas, aqueles espirros arrancados do fundo da alma, que chega deixam tonta. Tive que me segurar pra não cair. Em seguida, numa reação alérgica que seria a glória de qualquer indústria de cosméticos, meu rosto MUDOU DE FORMA, inchando e se repuxando, e eu fiquei com a boca aproximadamente do tamanho da boca da Angelina Jolie. Meus olhos lacrimejaram e eu tive um acesso de coceira tão violento que considerei me esfregar no asfalto pra aliviar. Minha glote fechou e minha voz sumiu, e fiquei o resto da noite dando uma de cover da Tina Turner. Very sexy. Conclusão: o gatinho equivalia, ao meu organismo, a ser jogada dentro de uma urtiga gigante.

Cheguei na casa de uma amiga (se eu dormisse perto do gato corria o risco de eu encontrar o verdadeiro Michael - no pós-vida!) naquele estado alérgico máximo. Isso era sábado à noite, pouco mais de 24 horas depois de ter pego o gato pela primeira vez. Certamente, a relação dono-bicho mais curta que já existiu. Domingo passei em casa para alimentá-lo, pensando se deveria usar um traje espacial para me aproximar. Mas o bichinho, tadinho, já estava se apegando: dormiu na minha cama (vou ter que queimar os lençóis, talvez!!!) e veio me cumprimentar todo amoroso, me reconhecendo. Morri de dó, mas era ele lá em casa e eu morando no prédio vizinho, se eu quisesse ficar com ele. Tive que optar e acho que Darwin me daria razão.

Entrei em contato com a veterinária e expliquei minha alergia galopante. Perguntei se ela o receberia de volta, para que outra pessoa o adotasse. Ela aceitou e anteontem lá fui eu de gato e cuia devolvê-lo. Quis chorar, e saí rápido antes que Michael percebesse que eu, sua dona-relâmpago-alérgica, não iria mais voltar. Os gatos sentem, os cachorros também. As relações às vezes vêm por um curto período de tempo, eu disse, mas nunca deixam de ser marcantes, por um motivo ou outro.

E é mais um Michael de que sentirei falta.